Home > Artigos > Gilberto Strunck > Design vende!
Por Gilberto Strunck*
Você já observou como os varejos estão consistentemente migrando para o modelo de autoserviço? No ramo das refeições, por exemplo, veja a explosão de restaurantes de comida por quilo acontecida nos últimos anos. Da mesma forma, as lojas de departamento, com menos vendedores para nos atender. E os bancos? Neles, nosso primeiro contato ao entrar nas agências é com as máquinas de autoatendimento. O controle da inflação também resultou no emprego de “vending-machines”. Em uso crescente, nelas podemos comprar hoje centenas de produtos. E os sites de compras? Nestes, praticamente tudo está à venda, por autosserviço!
Visando à diminuição de custos, o comércio investe em ferramentas que possibilitam transitar facilmente por seus espaços e interagir, sem intermediários, com os produtos e serviços à venda. Neste cenário, o design, aliás, o bom design, é fundamental para o sucesso nas vendas. Várias pesquisas, realizadas por diversos institutos, empregando metodologias distintas, em diferentes modelos de varejo, apontam sempre para o altíssimo índice de decisão, de que marca comprar, feito nas lojas.
Você já se perguntou o que o faz optar por uma, entre as diversas marcas de xampu, expostas lado a lado com suas concorrentes em uma loja? Ou a escolher determinado livro entre dezenas de outros no balcão de lançamentos de uma livraria? Ou a comprar o seu terceiro par de tênis, para usar na academia que você, há seis meses, promete começar a frequentar? Certamente, se você não é fiel a uma marca de xampu, não tem a indicação de um livro ou não é muito contido em seus hábitos de compras, você foi "pego pelo design".
É sabido que os dois lados do cérebro, o esquerdo, racional, e o direito, emocional, se conectam de modos diferentes com os ambientes onde as pessoas se encontram, através dos cinco sentidos. Os estímulos recebidos pelo lado direito seduzem, encantam, e geram o desejo de comprar. Já o lado esquerdo, atento aos estímulos racionais, justifica o desejo de comprar. Usualmente, as pessoas dizem que compram pelos benefícios funcionais e nunca pelos emocionais. Você não tinha a necessidade de comprar o seu décimo quinto esmalte, mas se encantou pela embalagem, pela tonalidade da cor, tão linda, tão diferente, tão na moda! Mas vai dizer que comprou porque os que você tem estão meio ressecados, ou que você vai dar uns para a sua filha, ou que o esmalte era muito barato.
O design é um recurso indispensável às marcas vencedoras, por estimular o encantamento, o amor à primeira vista, a conexão emocional com o cérebro. O design trabalha a "arquitetura da informação", expressando os diferenciais das mensagens, dos objetos, das embalagens, dos equipamentos, dos espaços, de forma a conectar as marcas às pessoas. Pense em algumas marcas brasileiras, líderes em seus mercados, como Havaianas, Natura, TV Globo, Cacau Show. Todas são marcas que investem consistentemente, há anos, em design, o que contribui de modo relevante para a fidelização de seus consumidores.
Lembre-se do Japão do pós-guerra, na quantidade de produtos japoneses que chegaram, bem baratos, ao Brasil, com o selo "Made in Japan", à época sinônimo de produtos de segunda linha. Eles eram a "imitação" da máquina fotográfica alemã, do relógio suíço, do eletrodoméstico norte-americano. Com o tempo, e muito investimento, especialmente em design e em tecnologia, as marcas japonesas tornaram-se líderes mundiais.
Por um processo semelhante passa agora a China, cujos produtos, quando não são de marcas estrangeiras, são tachados como cópias de má qualidade. Mas seu governo sabe que o país, que apenas emula o que os outros fazem, briga apenas por preço, não por valor. Assim, a China investe em design e está colocando, por ano, 600.000 designers no mercado! Uma escala realmente chinesa.
Numa economia mundial acelerada, extremamente competitiva como a atual, em alguns anos as marcas chinesas certamente estarão entre as mais desejadas. Neste contexto, o Brasil, que se pretende avançar entre as maiores economias do mundo, tem que investir em políticas públicas de fomento do design, para não ser apenas um grande exportador de commodities.
* Gilberto Strunck, é Sócio-Diretor da DIA Comunicação. Autor de vários livros sobre design, é Professor da UFRJ, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Conselheiro do POPAI Brasil e membro do Board Internacional desta entidade.
Mura Bispo
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Ótimo este artigo Gilberto! Indico o livro "Como criar identidades visuais para marcas de sucesso" é um livro dele muito bom, útil e com uma linguagem de fácil entendimento. abs, Mura Bispo
Data: 10/08/2010
Alexandre
Profissional de MKT | Marketing 33
Conseguiu explanar direitinho sobre o que vem acontecendo no nosso sisteminha capitalista de ser. Parabéns! Gostei do puxao de orelha no Brasil. Quando estiver sem nada pra fazer dah um rolé no nosso blog: http://33mkt.blogspot.com/ Abraco!
Data: 06/08/2010
Emerson
administrador | rb lanches
Belo ponto de vista, eu nunca pensei que o designe fosse tão influente dentro do varejo, sei que isso é essencial na venda de um produto de grande valor, um automóvel por exemplo, mas nunca pensei em xampu ou esmalte. Realmente a china esta se consagrando entre as grandes marcas, os automóveis por exemplo estão entre os melhores, e a qualidade sempre melhorando. Minha esposa sempre da essa desculpa dos esmaltes, o marketing nos induz a compra e as vezes nem nos damos conta. Mas de forma geral isso é bom para todos nós, empresas praticando endomarketing, para melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores que por sua vez tiveram de usar o seu marketing pessoal para serem contratados. Como eu poderia utilizar do designe para melhorar as vendas da minha empresa? Na minha empresa ( lanchonete ) Utilizo de boa visualização e organização de meus produtos para poder chamar atenção do cliente, será que isso conta como designe?
Data: 04/08/2010
Luis Pippi
Designer de superfície | Pippi Design
Gilberto, parabéns pelo tema e pelo artigo. Só para não deixar em branco, gostaria de postar aqui um autor que trata muito bem sobre esse assunto. Donald A. Norman - Design Emocional: Por que adoramos (ou detestamos) os objetos do dia-a-dia. Um abraço www.pippi.com.br
Data: 04/08/2010
Gilberto Strunck é Sócio-Diretor da DIA Comunicação. Autor de vários livros sobre design e Professor da UFRJ.
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Supervisor de Criação
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Onde está: AGE Isobar
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