Home > Artigos > Fernando Fernandes > Cadê os líderes?
Por Fernando Fernandes*
Essa pergunta foi feita por um dos mais influentes líderes na área automobilística. Quem não conhece ou conheceu a história de Lee Iacocca? Quando Iacocca escreveu seu último livro, com o título “Cadê os líderes,” publicado aqui no Brasil pela Campos Editora, ele já mostrava sua preocupação com o apagão de liderança nos seguimentos corporativos americano, principalmente, claro, no setor automobilístico. Parece que na época, ninguém deu ouvido.
Iacocca foi um dos líderes mais influentes de sua geração, especialmente quando esteve à frente da Ford. Seu legado continua até nossos dias. Em sua última palestra aqui no Brasil, o Prof.Jeffrey Pfeffer comentou que a crise de 2008/2009 não foi uma crise de crédito, mas sim, uma crise de liderança. Sem papas na língua, ele apontou suas baterias para os líderes à frente das instituições financeiras e para o setor automobilístico. Ele afirmou que no epicentro da crise estava a “ausência de liderança.” Ou seja, dois anos após Lee Iacocca escrever sobre sua preocupação com a ausência de liderança nos Estados Unidos, os acontecimentos mostraram que suas previsões estavam certas.
O Professor Pfeffer, falando sobre a crise de 2008/2009, mostrou-se indignado com a complacência e apatia dos líderes à frente dessas instituições; bônus bilionários pagos a executivos fracassados foi uma das maiores vergonhas corporativas dos Estados Unidos, disse ele. Afinal, ficou claro que a única preocupação dos líderes era salvar os seus bônus. Quanto às empresas, nos lembramos ainda muito bem o que lhes aconteceu. Você ainda se lembra do Lehman Brothers?
Liderança é exatamente a antítese de tudo isso. Liderança é comprometimento, primeiro com a instituição e seus funcionários e posteriormente, quando cabível, com outros interesses. Claro que estamos falando aqui em lucro, estabilidade, perenidade etc. Quando os líderes pensam neles e tão somente nos resultados de sua conta bancária, os resultados são catastróficos. É verdade que os números podem ser maquiados ou manipulados, mas um dia a casa cai. Quem não se lembra da Enron.
Lee Iacocca estava cheio de razão ao se preocupar com a ausência de liderança. Segundo analistas de diversos países, os executivos americanos com sua ganância descomedida e fora de controle estavam apenas empurrando a sujeira para debaixo do tapete. A pergunta de Iacocca ‘Cade os Líderes’ continua sem resposta. O mundo passa pelo maior apagão de liderança de sua história. Se não vejamos.
Jack Welch foi considerado o líder do século, com todo merecimento. Mas isso é muito pouco. Estamos assistindo a um festival de mesmice, pelo menos por uns trinta anos. Desde Michel Dell, passando por Bil Gates, Steve Jobs e mais recentemente pelos criadores do Facebook, Mark Zuckerberg e Sergey M. Brin Lawrence E. Page, criadaores do Google ─ o que há de novo no reino da Dinamarca?
No Brasil, a única liderança fascinante foi Ricardo Semler e a história da Semco. Fora isso, são sempre os mesmos. O Congresso Nacional espelha o que está acontecendo. Um festival de continuísmo e show da mesmice. No mercado corporativo não podíamos esperar por algo diferente. Um país que ainda engatinha quando o assunto é empreender, a renovação se tornou um bem raro e para poucos.
Então, o que pode ser feito? Criarmos e desenvolvermos mais líderes. Dar oportunidade para que surjam novas cabeças com idéias mais arejadas e menos engessadas. Talvez a fórmula usada por J. Welch na G.E para a formação de novos líderes não seja assim tão velha. Acredito que precisamos debater muito mais sobre o esse assunto, criando nas empresas, mesmo que de forma lenta, a preocupação com o tema liderança.
* Fernando Fernandes é Escritor, consultor de empresas, palestrante e Professor de Marketing Comercial e Vendas pela Faculdade Borges Mendonça e Apresentador do Programa CASES na Record News/SC.
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20/03/2012 | 00:09:05
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