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Fausto Celestino

Os filhos da tecnologia

Postado por Fausto Celestino - 03/02/2011
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Por Fausto Celestino*

Seria realmente possível nomear gerações, sem colocar na mesma cesta pessoas com realidades sócioeconômicas e histórias de vida completamente diferente? Talvez não, mas, por outro lado, atualmente é inconcebível analisar o comportamento de um adolescente, independente da época em que ele viveu.

Após a Geração X, composta dos filhos dos Baby Boomers da Segunda Guerra Mundial, tivemos a Geração Y, também chamada de Millennials, composta por pessoas nascidas entre os anos 80 e 90. Já os viciados em estarem conectados o tempo todo e com elevado nível de consciência ambiental formam a Geração Z, que tem seu integrantes nascidos entre 1990 e 2009.

A convergência de música, TV, jornal etc num único aparelho criou um novo tipo de comportamento, pois o indivíduo tem todas as ferramentas disponíveis em tempo real, mesmo em deslocamento. O nível de informação e principalmente a velocidade com que tudo acontece permeia esta geração.

São pessoas que não conheceram o planeta sem celular.  Foram influenciados desde o berço pelo mundo complexo e veloz que a tecnologia engendrou. Outra característica essencial dessa geração é o conceito de mundo que possui, desapegado das fronteiras geográficas.

Para eles, a globalização não foi algo adquirido à custa de grande esforço. Têm acesso muito fácil à informação, o que os coloca um passo à frente dos mais velhos, concentrados em adaptar-se aos novos tempos. Porém, o bombardeio de informação coloca o desafio de filtrar o que é bom do que é perda de tempo, e aí fica a grande questão de sempre. Mais importante do que a informação é usá-la com inteligência.

Vivem em um ritmo frenético e fragmentado pelas inúmeras atividades distintas que realizam simultaneamente. Se essa característica, por um lado, pode ser benéfica, por outro, pode gerar pessoas dispersas, com dificuldade para se concentrarem em uma só ocupação. Isso sem falar num mal ainda maior -  a ansiedade crônica. Deixe um jovem sem celular e/ou computador por dois dias para ver o que acontece.

No mundo permeado pelos meios digitais, obviamente a Geração Z valoriza muito a comunicação. Assim como foi com a X e Y, eles representam as novas linguagens e comportamentos e já estão influenciando diretamente os hábitos de consumo, pois são aspiracionais para os mais novos e inspiração para os mais velhos. A atenção que o mercado deve ter é entender o comportamento multitarefa que eles têm. Estudá-los para oferecer o que eles demandam.

Podemos considerá-los como a primeira geração totalmente globalizada, onde as informações pessoais ganham o mundo em segundos. Possuem alto poder de compra se comparados às gerações anteriores. Como interpretar uma maneira totalmente nova de pensar, reflexo direto da influência que a internet tem em suas vidas, pode ser um bom começo.

Entender que ser multifuncional é, sim, o mais bacana, ao contrário da Geração X, que defendia de forma contundente um único conceito, que esta pluralidade permite a eles se reconhecerem, independente de suas diferenças pessoais. São a cara da nova economia, cheios de ações interdependentes, que dão valor para coisas diferentes, de maneira totalmente nova. Jamais concordarão em pagar por conteúdo, pois a internet os criou desta forma.

Esta consciência coletiva, na verdade, abre gama infinita de oportunidades para as marcas, independente do segmento. Somente as marcas que entenderem este novo consumidor, que realmente forem honestas e verdadeiras com as questões sociais e ambientais, terão sucesso com os Z. E entender este novo perfil nada mais é do que entender que, mais uma vez, por trás de tecnologias avançadas e novas formas de pensar, estão seres humanos.

* Fausto Celestino é sócio-diretor da Promova-SP.

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