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Alberto Serrentino

Dois pesos e duas medidas

Postado por Alberto Serrentino - 22/04/2009
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Por Alberto Serrentino*

O desempenho do varejo nos EUA e na Europa em 2009 reflete o difícil momento econômico por que passa a economia desses mercados. Particularmente nos EUA, epicentro da crise econômica internacional, o varejo vive situação difícil e ainda sem perspectivas de melhora. As vendas em março foram 10,6% inferiores ao ano passado. Expurgando-se veículos, o número fica um pouco “melhor”: queda de 3%.

Excetuando-se o segmento de beleza e cuidados pessoais, que cresceu 3,5%, todos os demais caíram, com destaque para veículos (-23,1%), bens duráveis (-11,5%), lojas de departamentos (-9,6%) e vestuário (-8,7%). A venda em lojas comparáveis dos principais varejistas revela a extensão do problema: Abercrombie&Fitch, -34%; American Eagle, -16%; Gap, -8%; Limited, -9%; Dillard’s, -19%; Macy’s, -9,2%; Neiman Marcus, -29,9%; Nordstrom, -13,5%; Saks, -23,6%; Target, -6,3%. Poucos varejistas – principalmente operadores de descontos e farmácias – vêm alcançando desempenho positivo: Wal-Mart, +0,6%; TJX, +2%; Walgreens, +1,5%; Sam’s Club, +2,2%; Hot Topic, +7,1%, além das chamadas dollar stores.

Na Europa o cenário também está negativo para o varejo. Enquanto a rede alemã de supermercados de descontos Aldi vem apresentando desempenho positivo, com vendas crescendo na casa dos dois dígitos, o Carrefour teve no primeiro trimestre de 2009 a primeira queda de vendas trimestral dos últimos seis anos.

Contraponto Brasil
A economia brasileira vem sofrendo reflexos do cenário global, porém com impacto menor.  Projeções para o PIB deste ano mudam diariamente, porém, há possibilidade de crescimento. O varejo vem mantendo desempenho positivo. Os dados oficiais do IBGE referentes a fevereiro apontaram crescimento real de 3,8% sobre o ano passado; em janeiro o crescimento havia sido de 6%. Destaques positivos do bimestre foram supermercados (+6,1%) e informática e comunicação (+13,3%), enquanto apresentaram desempenho negativo material de construção (-12,6%) e vestuário (-5,7%).

O varejo brasileiro viveu anos excepcionais em 2007 e 2008, com crescimento real de 9,7% e 9,8%. Todos os segmentos e regiões cresceram. Já em 2009, a desaceleração deve levar a comportamentos setoriais e regionais heterogêneos. No todo, o varejo deve crescer e pode alcançar patamares entre 3 e 4 %, dependendo do comportamento de emprego, renda, massa salarial e crédito. Alguns segmentos podem ter desempenho negativo, compensado por outros com expansão.

As vendas em lojas comparáveis do Grupo Pão de Açúcar no primeiro trimestre aumentaram 7,9% sobre 2008. A venda de veículos, aquecida pela redução de impostos, aumentou 18% em volume em março sobre o mesmo mês do ano passado. O grupo Multiplan, um dos principais do setor de shopping centers, teve aumento de venda em área comparável de 8,5% no primeiro trimestre de 2009 sobre 2008.

Os planos de investimento para 2009, publicamente anunciados por alguns dos mais importantes varejistas do Brasil, revelam a confiança depositada na capacidade de superação e crescimento da economia e consumo nacionais. O Wal-Mart vai investir R$ 1,5 bilhão e abrir entre 80 e 90 lojas; Pão de Açúcar e Carrefour investirão R$ 1 bilhão cada para abrir 100 e 70 lojas, respectivamente; a Renner vai abrir oito lojas, a Riachuelo sete, Marisa nove, C&A 10, Droga Raia 20 e Pague Menos 27 lojas.

O momento atual inspira cautela e conservadorismo. As empresas de varejo estão controlando despesas, enrijecendo políticas de crédito, revisando planos de investimento e priorizando geração de caixa. Entretanto, ao se analisar o momento e as perspectivas do consumo e varejo no Brasil, é preciso balancear o impacto de uma eventual deterioração no cenário global com a real possibilidade de recuperação da atividade econômica local, com consequentes oportunidades para o varejo. Empresas em situação favorável de liquidez vêm dosando expectativas e avançando consistentemente.

* Alberto Serrentino é sócio sênior e diretor da GS&MD.

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