Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing | 19/10/2009
sylvia@mundodomarketing.com.br
Seria possível excluir uma parcela da população brasileira que representa mais 50% do mercado? Pensando assim, a resposta parece óbvia. Mas somente há pouco tempo o interesse por clientes capazes de movimentar R$ 34 bilhões por ano está evidente. Trata-se do consumidor de baixa renda. No Brasil, este público é equivalente a 95 milhões de pessoas. No mundo, são quatro bilhões, o que corresponde a um consumo coletivo de US$ 5 trilhões anuais.
Os números são claros. A base da pirâmide é capaz de movimentar o mercado. Por isso, o interesse que antes era focado apenas nas classes A e B, desloca-se para os consumidores de baixa renda. Atualmente, 10% dos gastos de publicidade destinam-se a este público, mas este cenário tende a mudar. O que fazer então para conquistar este consumidor?
O primeiro passo é deixar de adaptar os produtos e criar novos. É o que indica Wander Meijer, CEO para América Latina da TNS, durante o evento The Next Four Billion – Marketing para a base da pirâmide, realizado na Casa do Saber, Rio de Janeiro, para clientes da empresa de pesquisa na última semana, ao qual o Mundo do Marketing teve acesso.
Para o especialista, é preciso criar produtos que tenham o perfil deste público, para que ele se identifique. “O amor é um importante tema para o Marketing”, explica. A afirmação refere-se à importância que a família tem para este grupo social. Além disso, a cada 10 consumidores da base da pirâmide, seis dizem estar apaixonados. É necessário, também, que as empresas contribuam para o dia-a-dia destas pessoas. Um exemplo é o que a Procter & Gamble fez na África. A companhia percebeu que 70% das internações em hospitais deviam-se à contaminação da água.
Como melhorar a vida do consumidor
Diante deste problema, a Procter criou um produto que purifica a água. Cada sachê custava US$ 0,1 e era capaz de limpar 10 litros. O projeto teve início no Kenya e tornou-se global, estando presente em seis países ao redor do mundo. Como resultado, o produto diminuiu em 50% os casos de diarréia, salvando 60 milhões de litros de água e melhorando as vidas de milhares de pessoas ao redor do mundo.
Engana-se ainda quem acha que os consumidores esperam das marcas apenas preços baixos. “Eles querem relevância e qualidade. A importância que dão para a família faz com que desejem oferecer coisas boas. Eles se interessam também por promoções e prêmios”, diz o CEO da TNS. Por isso, produto bom é aquele que apresenta qualidade com preço acessível. Esta demanda aparece como uma oportunidade para as marcas próprias. “A confiança na marca é muito importante. Este consumidor não tem chance de comprar outra vez”, explica Meijer.
Considerar suas equações de desembolso também é fundamental para conquistar os consumidores da base da pirâmide. É o que aponta Miriam Steinbaum, Diretora da TNS Research Internacional, durante o evento. Para a especialista, em primeiro lugar, as empresas devem conhecer bem a categoria onde estão inseridas e entender onde ela se encontra nas linhas de despesa. Apesar de grande parte do orçamento ser direcionado para gastos fixos como alimentação e moradia, as marcas devem convencer o consumidor de que o pouco dinheiro que sobra deve ser investido em seus produtos.
Preço precisa de justificativa racional
Para isso, é necessário entender que a percepção de preço é multidimensional. “Estes consumidores não enxergam os valores absolutos dos produtos. As contas que fazem com o mesmo dinheiro dependem do sentido de urgência e de recompensa. É fundamental que o preço tenha uma justificativa racional. Se é mais caro, deve dar uma percepção de status, desejo, necessidade e qualidade”, conta Mirian.
As promoções também aparecem como um caminho para fidelizar estes consumidores. Mas elas devem estar de acordo com o perfil do cliente. O melhor é que sejam bonificações imediatas, como brindes. Já um programa de fidelidade, que exige um investimento a médio e longo prazo, é pouco mobilizador e pode gerar desconfiança. Ações como “leve três, pague dois” ou embalagens que investem no design e podem ser reutilizáveis ganham a preferência.
Investir no ponto-de-venda também é essencial. O espaço é um ponto de contato, de encontro, aprendizado e descanso. “Muitas famílias entendem a saída para fazer compras como um momento de lazer, para fugir da rotina”, diz Mirian. Um exemplo é o Super Casas Bahia, que fez do ponto-de-venda um local para a diversão dos seus consumidores. Outro passo é estar próximo do público e desenvolver estratégias em canais de venda onde acontece a vida do consumidor.
Estratégias para conquistar a base da pirâmide
Além de estar próximo do seu consumidor, as marcas devem reforçar a auto-estima e gerar um sentimento de inclusão, de identificação. Entre as estratégias para conquistar este público estão: mostrar que conhece e entende o que ele enfrenta no seu dia-a-dia; criar empatia; falar de igual para igual, com uma linguagem mais direta e completa; usar pessoas, cenários e sentimentos que façam parte desta realidade; respeitar sua cultura, hábitos e sabores; fazer parte dos seus rituais e considerar os valores tradicionais como a família, a mãe como heroína, o lar e o empreendedorismo a partir de cases de sucesso vindos da própria base.
Após entender e se aproximar deste público, resta inovar. Se as marcas entendem como o consumidor lida com uma renda tão apertada, devem trabalhar a motivação e a importância que sua categoria tem. Características como portabilidade, multi-funcionalidade, embalagem reduzida e fórmula concentrada podem ser o diferencial para que o cliente opte por uma determinada marca.
Este grupo também deve ser segmentado. Entre os consumidores de baixa renda, é preciso compreender todos os seus grupos e encontrar aqueles em que a marca se insere. Não se pode esquecer ainda que algumas marcas premium são aspiracionais e que muitos farão um esforço para tê-las. Por isso, as empresas devem criar um senso de proximidade e familiaridade, além de agir com responsabilidade social.
10 dicas para atuar na Base da Pirâmide (Fonte: TNS Research International)
1) Considere suas (complexas) equações de desembolso
Um pacote de arroz custa o mesmo que três pacotes de biscoito
2) Ofereça produtos de qualidade
Projete uma imagem de alto value-for-money e não de preço barato
3) Pense nele ao desenhar suas promoções
Ofereça bonificação imediata: vantagens são percebidas através de elementos muito concretos
4) Reveja o papel do ponto-de-venda: um ponto de contato, de encontro, de aprendizado, de lazer
O consumidor da base da pirâmide valoriza muito as saídas para as compras
5) Gere identificação
Demonstre que você o conhece, entende o que ele enfrenta no dia a dia; Crie empatia, mostre que vocês estão juntos para enfrentar seus desafios; Fale de igual para igual; Use pessoas, cenários, sentimentos que façam parte da sua realidade.
6) Fale com ele
A comunicação com a base da pirâmide pode exigir um ajuste de linguagem
7) Considere seus valores tradicionais
A família está no centro de tudo
8) Inove
Um produto, um serviço, uma tendência indica potencial de adaptabilidade se trouxer benefícios que podem ser transportados ou vivenciados em vários cenários
9) Lembre-se dos jovens consumidores da Base da Pirâmide
Com o acesso limitado a internet, a TV é o meio de comunicação mais importante e utilizado
10) Conheça o seu consumidor e entenda como ele lida com uma renda tão apertada
- Quais são suas motivações?
- O quanto a minha categoria é importante para eles?
- Qual a imagem que eles têm da minha marca?
- Quais resultados esperam do meu produto/serviço?
- Todas as sua necessidades estão sendo atendidas?
Investir no ponto de venda para deixá-lo mais aprazível, confortável, não só para comprar e sim passear é um excelente negócio que se paga:
Moro numa cidade grande de SC, com forte apelo industrial, que teve um crescimento econômico e populacional grande e rápido nesta ultima década. Como morava antes em centros maiores, como região metropolitana de POA e CTB, nunca havia percebido esta tendência que vou citar.
Sou vizinho de três hiper mercados, para todos os gostos e tipos de publico, pelo menos para esta cidade. Interessante, é que os dois hiper mercados que atingem a fatia de publico da base da pirâmide, aos domingos registram um movimento maior que o outro que não atua nesta fatia, registrando filas quilométricas. nem por isto vendem mais barato, tem preços equiparados. Quando circulo pelos mercados, costumo analisar e observar as pessoas e os grupos a que elas pertencem. O que elas compram, realmente compram de tudo.
Esta constatação, faz-me acreditar que a base da pirâmide, opta pelo laser em família no hiper mercado aos domingos. Pelo menos boa parcela desta. Neste caso, o laser significa fazer compras em família , pais e filhos, ás vezes os netos, sogra, sogro, tio e tia etc..., quase sempre aos domingos. Parece meio esquisito passear no supermercado, mas este é o cenário atual. Conversando com outros amigos, inclusive donos de mercados menores, eles confirmam esta teoria.
As pessoas estão buscando laser nos super mercados nos finais de semana. E neste caso, em SC não é por falta lugares turísticos e belezas naturais. Estamos entre a serra do mar, e o lindo litoral catarinense. Basta entrar num carro, e em menos de quarenta minutos chegaremos a um local turístico. Então, seria esta a nova tendência da base da pirâmide? Investir no ponto de venda, proporcionando ao cliente o conforto e prazer de realizar o seu passeio dominical? Seria este é o o caminho? Trazer a base da pirâmide para dentro do mercado nos domingos?
Gestor de negócios | | 20/01/2010
A grande maioria dos jovens possuem dificuldades de acesso mesmo a internet, conseguem.Ainda não dá para atrair estes jovens para o consumo atraves destes meios!!!A grande maioria usuária, possuem a internet para se relacionar!!!
Estudante | | 23/10/2009
Sugiro revisarem a questão dos jovens da base da pirâmide estarem na frente da TV. Eles já gastam mais tempo na internet....
publicitaria | dmg | 20/10/2009
muito pertinente o artigo, as empresas têm cada vez focado mais neste mercado, posicionamento é a chave do sucesso neste mercado desde gêneros alimentícios até imóveis.
lorenzo busato
gruposupera.com.br
consultor | grupo supera | 20/10/2009
Esse artigo serve para ratifica pesquisas que nos afirma: A base da pirâmide além de deter expressivo poder de compra, é menos exigente e fácil de ser fidelizada; as grandes Organizações que identificaram essa nova oportunidade de mercado estão desenvolvendo novos formatos de negócios e inovando incrementalmente suas marcas rumo a esse grande filão.
| ZP4 Marketing | 19/10/2009
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