Por Bruno Mello, do Mundo do Marketing | 28/05/2009
bruno@mundodomarketing.com.br
Roberto Justus está fazendo escola. Agora é Walter Longo, seu consultor no programa O Aprendiz, mentor de Estratégia e Inovação do Grupo Newcomm e Vice-Presidente da Young & Rubicam no Brasil que propõe a demissão de profissionais. Mas Longo não é tão implacável quanto Justus. Ele propõe que o diretor de Marketing vire um diretor de nexo, tamanha é a falta de conexão entre as estratégias e ações de Marketing das empresas hoje em dia.
A falta de nexo é explicada pelo momento que o mundo está vivendo. “Estamos entrando num período conhecido como Tesarac”, aponta Walter Longo em entrevista ao Mundo do Marketing. Segundo o especialista, estamos num período da história em que ocorrem mudanças sociais e econômicas, transformando o mundo numa sociedade caótica e desorganizada até que a sociedade encontre uma nova ordem que a recomponha. “É uma revolução igual a Revolução Industrial. O volume de mudanças brutal que está acontecendo em todos os setores gera uma dificuldade de saber para onde as pessoas vão”, complementa.
O que antes eram certezas agora são dúvidas. “Quando você não tem noção muito clara de onde você vai, fica mais difícil ter um nexo”, analisa. Outras razões explicam a falta de nexo. Há uma explosão de novas mídias. Com isso, a capacidade de perder nexo é maior também. O Marketing extrapolou o Marketing. “Hoje tem muitas pessoas diferentes numa empresa fazendo marketing. A área financeira faz relação com o investidor, o RH faz relação com o público interno, a área de produção faz pesquisa, design e o Marketing acaba fazendo só publicidade”, explica.
Razões da falta de nexo no Marketing
A falta de nexo vem também da mudança que o avanço da mídia digital proporcional. Mudou a forma de relacionamento entre as empresas e o consumidor. De acordo com Walter Longo (foto), que acaba de lançar o livro “O Marketing na era do nexo” (BestSeller) ao lado de Zé Luiz Tavares, há uma dificuldade de planejar porque tudo muda muito, a toda hora. “O profissional perde muito o lado estratégico e parte para o tático, mas ele pode ser estratégico sendo tático e tático sendo estratégico. Sem isso o nexo perde muito da sua força”, adiciona.
Nesta Era de Tesarac impera o Marketing do medo. Os profissionais de Marketing estão com medo de tomar decisões. Deixa que o concorrente faça antes e depois decide o que vai fazer. “Muita gente está tomando decisão não por ter certeza, mas para não ficar para trás. Empresas de propaganda estão criando braços digitais não porque acreditam no negócio interativo, mas sim porque se não fizerem o cliente vai para outro lugar”, ressalta Walter Longo.
Dificuldades e caminhos
O que dificulta a tomada de decisão correta e com nexo é que o próprio processo decisório está errado. “ As decisões são tomadas por dedução, por generalização, por repetição ou por intuição. Dependendo do tipo de decisão que se toma, coloca-se a empresa em risco”, diz. “Há centenas de formas para uma empresa se comunicar. E a empresa fala uma coisa na propaganda, fala outra no ponto-de-venda e esses esforços acabam sendo anulados e gera uma marca sem energia”, completa Longo.
Por isso Walter Longo acredita que o diretor de Marketing deveria se transformar num diretor de nexo. “Ele deveria ser o grande orquestrador de todas as ações. Ele deve ser o defensor, o evangelista da marca desde o jornalzinho do chão de fábrica, que deve estar em consonância com a missão e os valores da empresa”, assegura. E aqui não entra só a criatividade, embora seja muito importante. “O que necessita é um ambiente propício a criatividade, um clima organizacional que admita erro e, num momento de crise, certas pessoas não ousam por medo de errar. Uma coisa importante é que o nexo não limita a criatividade. Nexo é ter pertinência e coerência”, conclui.
O Grande problema hj em dia é a tal totalidade.
Percebo que muitos gerentes de MKT querem ser onipresentes, decidir, pensar e executar tudo sozinhos. O Popular, "Nos empatamos, vcs perdem EU GANHO"... Tem muito por ai que querem decidir deste o slogam da campanha ou ação e até mesmo a cor do layout ou a aplicação do logo. da empresa. São profissionais que se acham conhecedores (só eles) do caminho. A verdade, a bússola está somente com eles. Sendo assim eles inibem, tolhem, sufocam e acabam por desmotivar uma equipe toda de trabalho. Os populares "eu faço tudo" "eu sou o chefe"..
Passam por cima de profissionais, de redatores, de diretores de arte, de criação, até mesmo do cliente, tamanha a "sabedoria"e tamanho o norte por eles traçados como se somente eles tivessem a razão.
Ai ja viu... perde-se tempo, equipes, profissionais, foco...
Hj em dia quem tem o "norte"???
Diretor de Arte | | 07/11/2009
Esse tema é polêmico e hoje o foco é criar alarmes que seja a favor a alguns pontos e contra outros também.
É um tema que vende,tem boa análise e estratégia do tema...
Mas é algo que não fixa ou seja por um tempo até pode ser algo que preocupe mas temos um grande grupo de profissioais da comunicação que trabalha a favor e de ação proativa em relação a temas que depreciam a área.
Marketeira | | 16/09/2009
Interessante as suas colocações, só não concordo com o título "Demita o Diretor de Marketing", vejo que a bagunça e os desencontros estão acontecendo em todos os setores, não é culpa propriamento do marketing. Acredito ser um momento oportuno p/ que todos possam literalmente usar a arte do general "subir no morro" e olhar o caos de cima, só dessa forma não vamos fazer mais bagunça.
Grande abraço e sucesso,
Rosa Maria
Publicitária | Aliá | 04/08/2009
Viva o Marketing Antonio! Também defendemos os bons profissionais de Marketing. Este texto não é um artigo, mas sim uma reportagem na qual repercutimos as opiniões do Walter Longo. E quando ele fala de nexo, é justamente se referindo a Coerência.
Editor Executivo | Mundo do Marketing | 25/06/2009
Caro Bruno Mello,
Creio que existe uma pequena distorção no contexto da palavra “nexo” bastante utilizada na estrutura do vosso artigo intitulado: “Demita o Diretor de Marketing”.
Primeiro, vejamos o “sentido” da palavra “chave” do texto, segundo o dicionário Aurélio: NEXO = 1) Ligação, vínculo, união; 2. Coerência; 3. Junção.
Logo, percebo que no texto contém uma citação que gera de certa forma uma contradição quando você afirma que: “O Marketing extrapolou o Marketing”.
“Hoje tem muitas pessoas diferentes numa empresa fazendo marketing. A área financeira faz relação com o investidor, o RH faz relação com o público interno, a área de produção faz pesquisa, design e o Marketing acabam fazendo só publicidade”.
Fiquei aqui pensando...Como este marketing extrapolaria o marketing? O sentido desta função não é de união?
Dentro de uma perspectiva de mercado, o professor Philip Kotler (um dos Papas do marketing mundial), vislumbra o marketing da seguinte forma: “Marketing é a função da empresa encarregada de definir os objetivos dos clientes e a melhor maneira de satisfazer suas necessidades e desejos, de maneira competitiva e lucrativa. Uma vez que os consumidores e compradores empresariais têm a sua disposição uma grande quantidade de fornecedores procurando satisfazer todas as suas necessidades, as empresas não podem sobreviver atualmente simplesmente fazendo um bom trabalho. Elas devem fazer um trabalho excelente se quiserem permanecer atuando em um mercado global cada vez mais competitivo”.
A segunda observação que faço é justamente em relação à “sinergia” (associação simultânea de vários fatores que contribuem para uma ação coordenada) dentro da organização que no meu entendimento é dependente da estrutura de marketing para integrar todas as funções administrativas.
Enfim, saio aqui em defesa dos bons profissionais de marketing que atuam de maneira ética e profissional em um mercado cada vez mais dinâmico e mutante, valorizando as relações institucionais, bem como, pessoais.
Com ou sem “nexo”... Viva o marketing !!!
Administrador de Empresas e Professor Universitário | | 25/06/2009
É o MKT atual de um P só. PROMOÇÂO
Administrador | Autonomo | 20/06/2009
O problema está na compreensão da competência de marketing. A cada 10 profissionais da área, encontramos 2 bons no máximo. Marketing, em sua tradução livre, seria mercadando. Por aí, já se vê a grandeza deste cargo. Há muito o que aprender. Sorte a todos
Vendedor | XBOLS | 19/06/2009
As ferramentas devem servir à estratégia e não o contrário. O deslumbre com as novas mídias não pode se transformar em obsessão ou obrigação.
Se tem algo que aprendi em Marketing é que cada caso é um caso. O tratamento nunca é igual.
Em tempo, qual a profissão? Profissional de Marketing, uai! De Marketing, viu! Não é de Publicidade, nem de Engenharia.
| | 02/06/2009
Prezado Bruno,
Tenho acompanhado sempre que posso o comentario do Walter Longo s/tarefas e candidatos do Otimo programa O Aprendiz.
Acho que a reflexão s/ o atual momento do
Marketing é oportuna,porem discordo com
relação a falta de nexo,porque planejamento,desenvolvimento,inovação,ação,
promoção e resutados, são produtos da
coerencia e programação do Marketing.
Marketing sem nexo entre os recursos e a visão da empresa, não é Marketing.
Abçs,
Roberto Cardia.
Ger. Marketing | ECOPLAN | 01/06/2009
Gostaria muito de ser uma diretora de nexo.. Adorei o texto !
| | 01/06/2009
O mundo atualmente está passando por diversas tranformção, e o profissional de marketing está arriscando menos com medo de errar e deixando a concorrencia inovar cada dia que passa, talvez o comportamento das pessoas mudam todos dias e o planejamento estrategico não serve mais para nada.
Mas infelizmente no dia de hoje onde tudo viro comodity nos profissonais de marketing devemos inovar ousar utilizar taticas que traga um valor agregado ao nosso cliente.
Estudante de Marketing | UBC | 31/05/2009
Eu diria que tudo na vida é Mkt.Há Mkt de
Relacionamento,Mkt Pessoal,Mkt em RH,Mkt em
Engenharia,há o Mkt amoroso,...e vai por aí
afora! Em Mkt Empresarial,faz-se necessário
principalmente em grandes Agências de Publi
cidade,e no Mkt de Grandes Corporações,que
funcionários(as) parem de se "achar",e que
deixem de lado a vaidade profissional. No
meu entendimento,este é um dos maiores en
traves de Empresas para com seus parceiros
e/ou fornecedores.Que os(as) profissionais
de Mkt não pequem pela falta de humildade.
Consultor de Marketing | House Marketing Brasil-Ass. e Mídia Impressa e Virtual Ltda. | 30/05/2009
Não sou do tipo de pessoa ou profissional que tem por costume impressionar-se por frases de efeito como "Demita o Diretor de Marketing". Impressiono-me mais com neologismos característicos da nossa cultura brasileira, que quando não muda o nome para dizer a mesma coisa, escreve um parágrafo para explicar algo que em uma linha bastaria. O que o Sr. Walter coloca, ao meu ver, é mais uma forma de tentar criar uma nova palavra para algo que, em verdade, é a essência do trabalho do profissional de marketing e suas atividades inerentes aos profissionais com boa formação. Também acho que o Diretor de Marketing que cuida só da propaganda deve ser demitido, ou que então troque o nome de sua diretoria. A questão não parece ser o cargo e sim as pessoas que o ocupam. Devemos demitir a pessoa e não o cargo. Uma espécie de maquiagem aos bons profissionais de marketing para que pareçam diferentes da grande maioria medíocre que muitas vezes assumem tal posto mais pelo nível de parentesco com o Presidente da empresa do que pelo próprio mérito profissional. Dar ao profissional de marketing uma nova roupagem e manter o mesmo descritivo de seu cargo, ao meu ver, é andar em círculos. O problema passa pela seleção de novos profissionais para esta área. Não culpo os profissionais de RH, pois acho difícil mesmo entender a nomenclatura de nossa profissão, quantas vezes fui preencher um formulário ou perguntado: Qual sua profissão? Problema. Profissional de marketing é profissão? Gerente ou diretor de marketing? Isso é cargo. Marketeiro? Extremamente pejorativo. Então? Ataco de formação. Publicitário. Pronto. Resolvi fazer isso depois de alguns anos. Viu? ai já começa a confusão. E o engenheiro, o administrador e outros tantos, que resposta dariam? Prefiro resolver este problema antes de criar um outro. Já pensaram o diretor de Nexo respondendo: Qual a sua profissão?
Publicitário | Spassus Stands | 28/05/2009
Considero esses comentários muito catastróficos e míopes e, os mesmos não consideraram a evolução histórica do mundo e muito menos do marketing. Há uma tendência sempre de acharmos que o momento atual é o mais difícil, o mais perdido e dentro do qual o marketing é menos competente. Os anos setenta foram muito difíceis. Tínhamos guerras, o problema do petróleo, etc. Os anos 80 foram considerados como a década perdida e isso se aplica às empresas. Os anos 90 também foram muito difíceis e representaram grandes desafios.
No início o marketing era desconhecido e pouco valorizado, existia uma desconexão entre os diversos e velhos departamentos e uma tendência muito forte a decisões de cunho financeiro e de engenharia nas organizações.
Os adventos da internet, de novas tecnologias de comunicação oferecem, sim, grandes oportunidades para nós do marketing. Estamos vivendo a expansão das mídias. Agora temos ainda mais opções de chegarmos até o nosso público alvo, one to one a preços concebíveis. Os especialistas em mídia, em sua boa parte, sabem exatamente para onde, quem e como direcionar as mensagens empresariais.
A falta de conexão entre as área é apenas a continuidade de um problema antigo, que ainda não foi resolvido, pois, envolve além de questões estruturais arraigadas a natureza humana, em que os dirigentes são vencidos pela sua vaidade e necessidade de provar poder de decisão.
A miopia está em achar que esta crise é a mais séria. Teremos muito provavelmente novos momentos talvez até mais difíceis do que o atual, mas, a competência se mostra, quando a empresa demonstra ter uma visão, de longo alcance, que não a deixa pensar que o que temos agora é um mundo perdido.
Não adianta criar um diretor de nexo. Tem que ser criado antes disso um diretor de "quebra de espelhos", para que os diretores parem de valorizar tanto e pensem efetivamente em como a sua área pode interferir positivamente na satisfação de longo prazo dos clientes.
Todos na empresa devem realmente praticar marketing. Muitos consultores e autores defendem isso. É preciso, porém, ter cuidado, para não se pensar que o marketing está confuso. Pelo contrário!Essa pode ser a grande oportunidade de usarmos seriamente e competentemente as suas fermentas.
Lembro que o marketing envolve uma questão chamada "visão". Podemos disseminar que tudo está perdido, ou podemos preconizar que essa é a nossa grande oportunidade.
Espero que todos pensem nisso!
Administrador, Consultor de marketing, Professor Universitário, Mestre em marketing | RT CONSULTORIA E TREINAMENTOLTDA | 28/05/2009
Olá Bruno,
Gostei um tanto desse texto. Estou vivendo um situação dessa em
específico com um cliente. O Planejamento seguiu para web já que as
pesquisas apontaram para lá. O publico alvo não atendeu da maneira
imaginada e a campanha mudou de rumo.
Que momento estranho esse. Poderia escrever mais sobre esse assunto.
Super abraço e continue escrevendo. É a primeira vez que comento, mas
sempre leio.
Super abraço,
Atendimento | In Vista Comunicação | 28/05/2009
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