Por Redação, do Mundo do Marketing | 02/05/2006
pauta@mundodomarketing.com.br
Felipe Morais*
O crescimento do mercado de Internet no Brasil trouxe vários benefícios para anunciantes e agências; entretanto, ainda vivemos um paradoxo na comunicação digital. O crescimento de usuários é nítido, mas o investimento não. Apenas no 1o trimestre de 2006, o país ganhou 1,1 milhão de novos internautas residenciais. Em horas navegadas, o Brasil continua no topo, (perdendo apenas para a França) com 19h 24 minutos navegados por mês, 2h a mais que o mês de janeiro.
A guerra entre os provedores de acesso a banda larga, Virtua (Net) e Speedy (Telefônica) principalmente, ajudam no crescimento desses números, pois os planos oferecidos a baixo custo, estão gerando um aumento de internautas, com banda larga, nas classes B e C.
Com a Copa do Mundo, esses números tendem a aumentar, afinal, a transmissão dos jogos para o Brasil será feita em nosso horário comercial; com isso, portais e sites esportivos estarão transmitindo ao vivo, seja por meio de boletins minuto a minuto, sons ou com imagens. Uma grande estratégia online é explorar esses veículos, principalmente para produtos masculinos.
Por outro lado, do total investido em mídia no ano de 2005, apenas 1,66% foi na Internet. A perspectiva é que esse ano, 5% seja investido na mídia online. Vamos torcer.
Onde aplicar bem as verbas
Os usuários de Internet têm como hábito navegar, principalmente, em quatro tipos de veículos: E-mails, MSN, Portais de conteúdo e buscadores. Aproveitando esse grande número de acessos, agências usam esses veículos como mídia para divulgação de marcas, produtos e serviços; seja em patrocínio de newslleter (e-mail), ações no MSN, banners ou a nova “febre” - links patrocinados em buscadores.
Ações de mídia online tem como objetivo, em sua grande maioria, levar o usuário a algum site da empresa ou hotsite de um produto ou serviço. O resultado imediato e esperado é o aumento do número de Page views e unique visitors do site, métricas que ajudam a calcular o potencial de sua campanha online.
Convergência deve ser usada
A convergência entre mídias sempre foi discutida para o sucesso de uma campanha. Investir em várias mídias, ajuda a campanha ser impactante em vários momentos da vida do consumidor e de várias formas, uma vez que cada mídia possui a sua particularidade. O mesmo consumidor é impactado pela manhã lendo o jornal, no caminho do trabalho vendo outdoors, ouvindo rádio, ao chegar no escritório, no elevador, vendo e-mails, recebendo uma SMS de tarde e na TV a noite.
Mas não é bem isso que tem acontecido no mercado. Devido ao posicionamento mais do que consolidado da mídia offline, a mídia online vem crescendo como algo paralelo. Entende-se como mídia fazer rádio, tv, outdoor, jornal, revista. Banner, Links patrocinados, Pop-up são digitais e por isso, nem sempre incluídos nos planos de mídia. Ambas crescem paralelas. Mídia tradicional e Mídia online. Ai está o erro de muitas agências e anunciantes. Mídia é mídia!
Mas será que é possível usar mídia online para apoiar mídia offline? Ou vice versa? Acredito que sim. Infelizmente a cultura offline ainda reza pelo fato de: “campanha online só tem sucesso na Internet, onde se vê o banner e clica no site. Usar mídias tradicionais para levar a site é jogar dinheiro fora”. Isso é uma cultura que precisa – rapidamente – ser quebrada.
O que me motivou a escrever esse texto, foi a recente campanha que pude acompanhar. Por motivos éticos, não posso revelar a empresa. Mas os números são muito próximos aos reais.
O site de uma empresa tinha visitação média mensal de 3,5 mil unique visitors. Seguindo uma estratégia de marketing, a empresa criou uma ação promocional para um de seus produtos. Todo o regulamento, explicação do produto, depoimentos de consumidores estavam no site. A campanha não direcionava os consumidores ao site, mas deixava claro que seria a melhor forma de entender mais sobre a promoção e o produto; pesquisar seus benefícios e maneiras de uso.
A estratégia de mídia foi apenas com TV, em programas de grande audiência, o que gerou um alto impacto de mídia. No primeiro mês da campanha o site obteve cerca de 56 mil acessos. Segundo mês, 76 mil acessos e no terceiro mês 46 mil. Para um site que recebe 3,5 mil acessos mês, receber 76 mil é algo extraordinário, ainda mais se pensar que não foi gasto nada em publicidade online; as pessoas se lembraram da campanha e quando estavam na frente do computador, acessavam ao site. O mais impressionante, é que a maior parte desses acessos vinha dos horários das 12h às 13h e das 18h às 20h, quando as pessoas estão em horário de almoço ou indo embora do trabalho.
Em resumo a mídia online não deve crescer em paralelo com a offline; elas são mídias! E devem trabalhar juntas para o sucesso da campanha.
*Felipe Morais é formado em publicidade e propaganda pela FMU e pós-graduado em planejamento estratégico em comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo. Atualmente é gerente de projetos e mídia online da Navigators e assessor de marketing da Upmkt, V8 Produções e Celso Rangel produções.
Olá Felipe,
Muito bacana seu artigo. Concordo plenamente com você quando diz que "mídia é mídia", não interessa o tipo. Acredito que todo tipo de mídia deva ser considerado, deve-se com absoluta certeza,renovar as mídias utilizadas para darem retorno e contribuir com eficácia nas campanhas.
Estudante de Publicidade | | 07/06/2010
Caro Felipe,
Embora considere interessante seu artigo, gostaria de discordar de um conceito.
Acredito que manter o foco no newsletter, msn, portais e buscadores, é ignorar completamente a WEB 2.0 e o Fenomeno da Mídias Sociais.
Tenho falado incansavelmente às agências de publicidade que hoje o que chamo de BMS ( Blogs e Mídias Sociais ) já tem mais audiência que todos os 4 meios online tradicionais citados juntos.
Acredito que as campanhas não podem ignorar este fenomeno, pois hoje um Blog ode colocar uma campanha no Top 10 do Google de uma forma muito mais eficiente que o "link patrocinado".
CLaudio Torres
www.infobot.com.br
Consultor | infobot.com.br | 05/04/2008
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