Por Bruno Mello, do Mundo do Marketing | 24/03/2009
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Tirando o Presidente Lula, ninguém mais acha que estamos imune à crise ou que ela passará rápido. Ela está apenas no começo. Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco, em conversa com o presidente da Natura, Luiz Seabra, para a revista Época Negócios, afirmou que esta é uma crise para pelo menos dois, três anos. Olhando para uma linha mais longa, a da História, três anos até que não é muito. Aliás, é muito pouco. Lembre-se, estamos em 2009 anos depois de Cristo.
O Apartheid, por exemplo, durou oficialmente 42 anos na África do Sul. No filme Mandela – Luta pela Liberdade, baseado nos 27 anos que Nelson Mandela passou na prisão, um dos protagonistas é James Gregory, militar responsável pela censura na prisão. Ele acabou se aproximando dos ideais de Mandela e, ao mesmo tempo, por conhecer a língua nativa do líder negro, contribuiu inconscientemente para a permanência do regime de segregação racial durante anos.
Promovido a subtenente e diante de ameaças contra sua família, Gregory aceitou cuidar da guarda pessoal de Mandela nos últimos anos de prisão. Sua decisão teve como resultado a perda de seu filho mais velho em um “acidente” e a derrota do Apartheid. Gregory quis fazer parte da História, do lado bom da História. Guardadas as devidas proporções, você, profissional de Marketing, está numa guerra para poder mudar a forma como vende e conquista seus clientes.
Novos tempos
O regime capitalista antigo está ruindo. Estamos saindo da era dos excessos. Da abundância e do dinheiro podre. Ninguém mais venderá tão fácil. Não bastará apenas cortar custos, fazer reengenharia. Semana passada, o articulista do Mundo do Marketing Carlos Ferreirinha, escreveu: “O atual consumidor em transição terá mais dúvidas e, com isso, buscará mais opções de consumo. O excesso será comedido e para tanto as marcas terão que garantir a assertividade da atratividade e principalmente o atendimento na prestação do serviço e/ou do varejo, de forma a garantir a concretização da venda”.
Em entrevista publicada ontem aqui no portal, o inglês Graham Tocher, Diretor Regional de Stakehold Management da TNS e Diretor Regional da área Financeira, também concorda que o consumidor será o ponto central da mudança. “Para conseguir atingir um consumidor, as companhias terão que garantir que aquilo que entrega atenda aquilo que desejam. O modo como as empresas vêm atuando nas últimas décadas precisa ser repensado. É preciso avaliar se os antigos modelos, estruturas, políticas, etc, irão continuar valendo nessa nova dinâmica. As empresas devem ainda valorizar a entrega da experiência de consumo e descobrir como agregar valor a seus produtos, além de garantir que esse valor será entregue ao consumidor”.
Estamos diante, portanto, de uma mudança histórica. E você, que está diante de um departamento de Marketing, de uma folha de papel em que as palavras mudam a toda hora e de uma planilha em que os números insistem em lhe desafiar, faça a sua escolha: vai fazer parte da História com um caso de fracasso ou caso de sucesso?
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