Por Bruno Mello, do Mundo do Marketing | 26/06/2009
bruno@mundodomarketing.com.br
Está escrito em todos os jornais em letras garrafais – e aqui no Mundo do Martketing também. Está na boca de 11 em cada 10 profissionais de Marketing. Já foi, está sendo e ainda será muito discutido. “O consumidor está no controle e ele determina as tendências, o que compra, como compra, quando compra, etc, etc, etc"... É verdade. Não faltam exemplos disso. Porém, a decisão do Pão de Açúcar, do Carrefour e do Wal-Mart em suspender a compra de carne produzida em regiões de desmatamento é que vai provocar uma grande mudança de comportamento.
Ok. É bem verdade que se os varejistas não tomassem esta decisão poderiam ser multados pelo Ministério Público Federal em R$ 500,00 por quilo comercializado. Com ela, a história do consumo consciente e da sustentabilidade no Brasil ganha o seu fato mais destacado até agora. E é esta ação que vai determinar os novos rumos do consumo consciente no Brasil. O grande destaque (negativo) é que ele não partiu do consumidor, diretamente. Não teve cara-pintada nos pastos.
Até hoje, contava-se nos dedos das mãos os consumidores que se preocupam, e mais, deixavam de comprar carne, de acordo com a sua procedência. Eu mesmo ouvi uma frase incrível no programa Cidade e Soluções, da GloboNews, que me deixou pensativo. “A fumaça do churrasco que você come no domingo tem cheiro de desmatamento”. Mas pergunta se deixei de comer carne ou procurei saber a proveniência dela. Será que alguém na churrascaria pergunta isso? Será que você, como pessoa, já se preocupou com isso seriamente a ponto de boicotar o produto?
União faz a força
A partir de agora, no entanto, as pessoas podem começar a se preocupar e realmente praticar o consumo sustentável porque o fato histórico envolve uma participação grande de mercado. Só as três maiores redes varejistas são responsáveis por mais de um terço das carnes consumidas pelo brasileiro. Há ainda a mobilização de mais de 70 distribuidores. A mudança tende a ser mais profunda porque envolve também outros membros da Associação Brasileira de Supermercados.
A indústria é expert em mudar hábitos de consumo. A máquina de escrever virou computador. O fax foi assassinado pelo e-mail. Os celulares viram a criação de uma outra categoria de produto com a chegada do Iphone. A mesma coisa aconteceu com o Ipod. São pequenos exemplos de revoluções que transformaram para sempre a vida dos consumidores. Algumas leis também pegam e alteram a vida das pessoas. O uso do cinto de segurança é um deles. A proibição de fumar em locais públicos é outra.
Alterar uma cultura de consumo, no entanto, não é fácil e mesmo com a força que tem, o varejo precisará dos consumidores. Héctor Núñez, presidente do Wal-Mart Brasil, tem consciência disso. “Sabemos que, em sustentabilidade, a união é fundamental”, disse. Por mais responsabilidade que as redes tenham, elas estão se mexendo em diversos movimentos. Falta o consumidor aderir em grande volume. Com isso, os preços, um grande vilão, tende a cair.
É triste ver o Pão de Açúcar anunciar como vitória a venda de 600 mil unidades de sacolas reutilizáveis desde que iniciou o projeto de comercialização em 2005. Considerando três anos, teremos um pouco mais de 500 sacolas vendidas por dia. Quantos quilos de carne que desmataram a Amazônia foram vendidos por dia neste mesmo período?
É triste ver também que o comportamento do consumidor e as estratégias de Marketing estão sendo cada vez mais orientadas pelos outros, como sempre foi. Mais pela força de leis, de restrições e de multas do que pelos seus próprios projetos e consciências. Neste caso o resultado é louvável. Vamos ver até onde vai esta mudança.
Pena mesmo e imaginar que sustentabilidade se faz com "modelos" novos de sacolas, que agora passam a ser inclusive cobradas!?.....
Já não é tempo de ampliar o campode visão?
Será que ampliar as perspectivas e ver a realidade que a todo instante nos mostra suas fragilidades estruturais.....
Em especial no campo da consciência dos valores!
Qual de fato é o valor que esta formando este novo consumidor?
Como esta sendo orientado pela mídia, industria e instituições públicas?
Enfim acho que tudo vale a pena se a alma não é pequena como diria o poeta.....
Mas vale conferir a inspiração de tais almas.......
consultora | DC.DallCastro gestão de recursos Criativos | 21/07/2009
Você está certo, Mauricio.
O foco aqui foi justamente esse: o consumidor não está ditando tantas tendias assim. E, como você bem disse, eles deveriam fazer isso a partir do que o profissional de Marketing consegue de insight.
Editor Executivo | Mundo do Marketing | 02/07/2009
Bruno,
A matéria esta de parabéns mesmo. Mas ela me fez questionar algumas "verdades" do mercado marketeiro de hoje.
Até onde, de fato, o consumidor tem ditado tendências? Você mesmo fala de iphone, ipod, mesmo e-mail, celular. Quando o consumidor mostrou uma necessidade ou mesmo desejo (talvez necejo?) de tais tecnologias?
Será que a questão da carne não é apenas mais um exemplo? e as sacolas? Dificilmente vejo consumidores exigindo sacolas, mas amplas campanhas dos varejistas para que as usem.
Alguns podem até questionar que o uso das sacolas e até de alimentos orgânicos tem crescido com um certo "freio de mão puxado" pois são desembolsos que o consumidor não está acostumado a gastar. Quem gosta de pagar por uma sacolinha para levar suas compras? Ou pagar por aquele açucar proveniente de uma plantação sustentável? Mas daí penso que esses mesmos que ainda resistem a pagar mais por isso investem tranquilamente mais de $1.500 reais para ser o primeiro a ter o novo celular lançado pelo Google que ainda nem chegou ao Brasil.
Será mesmo então que o consumidor tem ditado tendências? Ou será que os gurus do marketing atual, que trabalham dia após dias nas indústrias, varejo, serviços, não aprendem cada vez mais a criar os necejos de consumo do ser humano?
Adm de MKT | | 02/07/2009
Obrigado também Dienes!
Editor Executivo | Mundo do Marketing | 01/07/2009
Realmente matéria louvável, realmente é incontestável a influência desse setor no comportamento do consumidor, mas me pergunto, será que as empresas se comprometeram em mudar essa cultura brasileira de não dar valor a procedência aos produtos comprados, aqui no caso a carne, só o tempo dirá se isso é um fato histórico, e para nós mercadólogos resta continuarmos de olhos bem abertos no mercado.Agradeço novamente pela ótima matéria!
Estudante | | 30/06/2009
Obrigado Nara!
Editor Executivo | Mundo do Marketing | 26/06/2009
Bruno,
Ache sua matéria louvável...A força dos gigantes quando unida, é de fato um acontecimento histórico, prinicpalmente para nós, marketeiros.
Abraços,
Nara
publicitária | Publicité Comunicação | 26/06/2009
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