Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing | 27/10/2009
sylvia@mundodomarketing.com.br
O boom das redes sociais não deixou dúvidas: se as marcas desejam se relacionar com os seus consumidores, devem estar presentes nestes canais. Não é mais novidade a presença das empresas em espaços virtuais como blogs e sites de relacionamento como o Orkut e o Facebook, além do microblog Twitter, fenômeno virtual do momento. Mas até que ponto vale a pena investir em mídia social? Para saber quais são as vantagens, desvantagens e principais características, o Mundo do Marketing conversou com profissionais que apostam em ações voltadas para as comunidades on-line.
Estes canais são base para relacionamento, pesquisa, promoção e tudo o mais que se possa imaginar em termos de estratégia de Marketing. Hoje, não há internauta que compre um produto sem antes fazer uma pesquisa no Google ou em fóruns e comunidades relacionadas à marca ou à categoria de interesse. São também as redes sociais que esses consumidores procuram quando desejam reclamar. E acredite: as críticas negativas às marcas ou aos produtos podem repercutir muito mais do que você
pensa. Vide sites como o Reclame Aqui, site que virou referência para os consumidores que não tiveram suas solicitações atendidas pelas empresas de forma satisfatória.
Mas qual é o papel das marcas nas redes sociais? De acordo com Alessandro Barbosa Lima (foto), CEO da E.life, empresa que monitora e analisa o conteúdo gerado na mídia social, a principal função das empresas é gerar relacionamento. “As pessoas que estão nas redes sociais procuram muito mais se relacionar, obter informações. Elas querem conversar”, aponta o profissional em entrevista ao Mundo do Marketing. Mas nem sempre é possível se relacionar com o seu consumidor na internet, como lembra o próprio CEO da E.life, o que não significa que as empresas não possam se beneficiar das redes sociais.
Monitorar, avaliar, criar pontos de contato e ativá-los
“Muitas empresas já têm pontos de contato tradicionais como 0800 e e-mail que não funcionam bem. Enquanto não resolverem esses problemas, não podem se aventurar nas redes sociais. Isso apresentaria mais ameaça do que oportunidade”, explica o especialista. Para isso, é necessário que todas as marcas, sem exceção, sigam os dois primeiros passos indicados por Barbosa: monitorar e analisar.
Primeiro, é necessário que as empresas levantem dados quantitativos e depois informações qualitativas e conclusivas a respeito de seus consumidores na internet. A partir deste trabalho, as marcas são capazes de saber se os pontos de contato tradicionais estão funcionando ou falhando. O ideal é entender o que e onde o consumidor fala da marca, para depois realizar as duas últimas etapas sugeridas pelo CEO da E-life: criar pontos de contato e ativá-los.
Foi o que fez a Wine, site de e-commerce de vinho. Estando mais próxima do seu consumidor por ser uma loja on-line, a empresa conseguiu conhecer o seu público e criar mecanismos para se aproximar ainda mais dele. Para se relacionar com os internautas, a Wine criou um Twitter que recebe dicas sobre o universo do vinho. “Diferente de algumas empresas que trabalham o conceito de venda, procuramos focar o lado educativo”, diz Anselmo Endlich (foto), Diretor de Marketing e TI da Wine, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Marcas se unem aos blogueiros
A empresa também aposta em promoções exclusivas para o microblog para ampliar o relacionamento com os usuários. No começo do mês, a Wine lançou a ação “Você é o sommelier”. Quem desse mais “retwitts” – ação de encaminhar conteúdos postados adicionando “RT” antes do texto – ganharia um prêmio. A iniciativa buscou motivar a divulgação das informações postadas pela Wine.
Além do Twitter, a loja virtual também monitora e tem ações específicas para o Orkut e o Facebook, como cupons de descontos. A empresa ainda está concluindo o blog oficial da marca, que pretende seguir o mesmo conceito do perfil no Twitter e divulgar dicas para os apreciadores da bebida. Outra ação recente da Wine uniu o on-line ao off-line. A empresa realizou o “Blog com Vinho”, um evento com as principais blogueiras sobre o assunto para se aproximar do público e entender o comportamento dessas consumidoras.
O encontro resultou uma pesquisa com informações sobre como a mulher compra vinho, quais os principais fatores no processo de escolha, em que ocasião elas consomem, quantas vezes por semana, qual a faixa de preço, entre outros. Outra marca que se uniu aos blogueiros foi a Puma. A empresa realizou uma ação em parceria com 100 donos de blogs para promover o produto Puma Lift.
Relacionamento para ativar vendas
Cada blog parceiro direcionava os internautas para um concurso cultural que incentivava os consumidores a responderem a pergunta “O que é ser leve para você?”. Os autores das melhores respostas ganhavam o prêmio, assim como os blogueiros da página visitada. A ação contou ainda com divulgação em perfis do Orkut, Twitter e Facebook.
“A intenção era que os blogueiros também divulgassem a marca porque acreditam no produto. Tudo o que a gente faz em redes sociais tem que ser pertinente”, comenta Araken Leão, Vice-Presidente Digital da CasaNova Comunicação, agência responsável pela ação da Puma, em entrevista ao Mundo do Marketing. Segundo Leão, há espaço para todos nas redes sociais. “As marcas podem trabalhar desde o esclarecimento de produto até o monitoramento dos consumidores, que antecipa as tendências”.
Quando se conhece o consumidor e o terreno em que está pisando, é possível, também, aumentar as vendas pela internet, como fez a Pizza Hut do Rio Grande do Sul. Além de postar informações sobre a rede, a marca interage para fidelizar os internautas. Aqueles que têm maior presença nos canais em que a Pizza Hut está presente têm acesso a promoções relâmpagos e vantagens especiais.
Conhecer as ferramentas é essencial para não errar
Antes de começar a atuar em redes sociais, a empresa se preocupou em conhecer as ferramentas para não correr o risco de errar. “Procuramos nos precaver para que as possibilidades de erro diminuíssem. O maior equívoco das empresas é entrar nos canais sem estar estruturadas para atendê-los. Aqui temos um apoio intenso da área de comunicação. A decisão de ter um canal interativo precisa ter a consciência prévia da responsabilidade, senão a marca fica prejudicada”, aponta Henry Chmelnitsky, franqueado da rede no Rio Grande do Sul.
Outra empresa que utiliza as redes sociais para incentivar as vendas é o Ingresso Rápido. O site está investindo nos canais para comunicar a abertura de venda de ingressos para espetáculos e eventos e a ampliação de temporadas com apresentações extras. Não só uma excelente base de dados sobre consumidores, as comunidades virtuais também se apresentam como ferramenta para divulgação e prestação de serviços.
No Brasil, existem 46,7 milhões de internautas, segundo dados do Ibope Nielsen Online de agosto deste ano. Os números são suficientes para mostrar que o alcance da web ultrapassa qualquer meio de comunicação de massa tradicional. Em 2008, foram vendidos mais computadores do que TVs no país e os dados da pesquisa indicam que os brasileiros passam três vezes mais tempo on-line do que vendo televisão. Este cenário tende a se expandir: a média de crescimento da internet por aqui é de 22% ao ano.
Hoje, a rede já atinge aproximadamente 40% da população, enquanto os meios tradicionais apresentam crescimento moderado ou declínio. Focando apenas os homens AB, de 10 a 24 anos, este número sobe para 85%. A influência que a internet exerce sobre os consumidores é inegável. Mas não se pode negar também a influência que estes consumidores têm sobre a internet. E se eles estão em algum lugar, este lugar são as redes sociais e é para lá que as marcas devem voltar o olhar.
*Atualizado ás 13h15
Excelente matéria, como sempre. Li a matéria e twittei contra a assistencia tecnica da LG, que ha um mes tem em mãos minha TV, que esta na garantia! Twittei, postei no facebook. Em menos de 24 horas um responsável da LG entrou em contato para TROCAR o aparelho! Melhor do que PROCON! E o site reclame aqui é o máximo! Ideal para fazer valer os direitos de simples e mortais consumidores, contra empresas que não entregam o que vendem!
publicitaria | | 17/03/2010
A era da Web 2.0 chegou, cheia de oportunidades.
O que muitos profissionais e empresas ainda não perceberam, entretanto, é que o cyberespaço foi construído inconscientemente sobre uma realidade cultural própria, peculiar, que deve ser entendida e respeitada.
Thiago da Silva Galerani
Website: http://www.galerani.com.br
Twitter: http://www.twitter.com/thiagogalerani
Advogado - Marcas, Direitos Autorais e Direito Eletrônico | Galerani Advocacia | 19/11/2009
Muito bom artigo.
Sigo o comentário da Paloma Assef. "Agora só falta as pessoas certas lerem". Com muita certeza digo e infelizmente vivencio, o mal de quem manda no marketing é, não conhecer absolutamente nada de mídias sociais...
Marketing | | 30/10/2009
Muitissimo interessante o artigo sobre o uso das redes sociais e descobrimos o quanto torna-se imprescindivel cada vez mais a presença do profissional de jornalismo nas empresas.
Arquiteta | Graffic Design Serviços Ltda | 30/10/2009
Obrigada, Gleudo. Agora só falta as pessoas certas lerem. O grande mal é que quem manda no marketing não conhece absolutamente nada de mídias sociais...
Publicitária | Coastal DuPont | 28/10/2009
como toda nova mídia as redes irão amadurecer naturalmente, quando a televisão se popularizou falava-se que seria o fim dos jornais, quando a internet começou falava-se que seria o fim dos vendedores, e o que aconteceu? cada um continua com seu espaço.
lorenzo busato
consultor | grupo supera | 28/10/2009
Paloma Assef seu comentário foi jóia.
Faço dele, o meu comentário.
| | 27/10/2009
As ações dentro de mídias sociais podem obter muitos resultados, mas o case da Puma não é exatamente um sucesso. Das pessoas que eu conheço nessas mídias (blogs e twitter), só ouvi críticas. Afinal, como uma empresa quer que uma pessoa aposte em um produto que não conhece? A Puma falhou - do meu ponto de vista falhou feio - em querer que as pessoas que sequer viram o produto digam que ele é bom. Simples assim: se você quer que alguém fale do seu produto, mande um exemplar pra ele. Só na adivinhação, eu também não falaria bem do produto e de quebra falaria mal da empresa, por me achar burra e querer que eu faça propaganda de graça.
O grande problema das mídias sociais é que as empresas consideram os usuários como propaganda grátis e não como trabalho de relações públicas. É extremamente importante ter em mente que quem produz conteúdo na web tem consciência que também é meio de comunicação, além de consumidor. Falta ainda respeito aos usuários. Mídia social não é central de aproveitamento barato.
Publicitária | Coastal DuPont | 27/10/2009
As redes de relacionamento já estão sofrendo um grande ataque com a proximidade das eleições são candidatos, que desconhecendo as técnicas de uso desses canais já estão utilizando-os como palanque virtual para divulgação das suas propostas eleitorais; praticando, portanto grande equívoco em participar desses canais sem a devida estruturação para atender o seu mercado. Dando inicio a uma precipitada caminhada rumo à falência da sua marca.
| ZP4 Marketing | 27/10/2009
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