Vender é suprir carências
Como em nenhuma outra época precedente nestes tempos hipermodernos, desejo e consumo são disciplinas visceralmente integradas. Existem diversas visões para justificar o hiperconsumo contemporâneo.
Liderando as motivações estão as faltas emocionais. Faltas de pessoas relevantes de nossa história, de sentimentos positivos ou negativos que elas nos causaram e de momentos que foram intensos ou insuficientemente gratificantes. Neste sentido marcas ou a posse de alguns bens preenchem o espaço entre o eu idealizado e o eu real. Ao adquirir determinada marca ou ter acesso a um bem, nos tornamos o eu que sonhamos.
Outra motivação essencial para o consumo é a busca pela individualização, por sentir-se e fazer-se único perante o mundo massificado em que vivemos. Ou ainda a necessidade de integração em grupos para fazer-se especial e aceito, ou seja, ao utilizar determinado objeto recebemos o passe de acesso a uma tribo.
Auto-estima e calor humano tornaram-se carências da era do hiperconsumo por excelência. Carências que são supridas no ato de comprar. Que outras motivações justificam o excesso de alternativas em produtos ou trocas de bens que ainda funcionam? Por que trocar de celular por um mais novo se o seu funciona bem? Por que utilizar uma bolsa de R$ 2.000,00 quando uma de R$ 200,00 ou de R$ 20,00 cumpre a mesma função?
Porque comprar supre carências emocionais, familiares e de auto-estima. Portanto, vender acima de tudo é suprir carências. Esquecemos esta visão toda vez que ancoramos nossa estratégia em uma abordagem exclusivamente promocional.
[5]
Drix
Estava comentando dia destes com um amigo publicitário sobre isso: a carência absurda que nos leva a comprar. É intenso isso. Não vejo mais como uma " procura por promoções " e sim uma " preciso suprir minha carência com isto...acho digno". Algo do gênero. E algumas empresas conseguem visualizar MUITO BEM isso e trabalhar em cima com entrelinhas que falam tudo. Um exemplo para mim são as operadoras de celular. Enfim, a época de "tudo por 1,99" ficou invariavelmente obsoleta.
Publicitária | Data: 05/10/2009
Gleudo
"Ao adquirir determinada marca ou ter acesso a um bem, nos tornamos o eu que sonhamos".
Beth.
Vc foi MARA ! nesse Post.!
| Data: 05/10/2009
gilson roberto
A necessidade do consumo é primordial dentro do contexto biopsicosocial, porém viver numa sociedade predominantemente de regras e falsos valores, faz do consumo um muro para criar ou selecionar os afins e afastar outras pessoas. Infelizmente, com poucas excessões todos nós tratamos, julgamos ou analisamos as pessoas de acordo com a percepção que temos a respeito da marca do carro, roupas, sapatos entre outros. É uma pena, mas é a realidade. Um grande beijo e sucesso sempre!!!
administrador de empresas | MKT Consultare Data: 05/10/2009
José Floriano Pinheiro Silva
O ser humano é dotado de necessidades e desejos, por mais que tenhamos respeitadas as nossas individualidades, sempre carecemos de bens e serviços que atendam nossas necessidades de sobrevivência.
Mas, ao decidirmos por adquirir bens de luxo, que nos diferencia dos nossos pares estamos optando em atender nossos desejos e por conseguinte suprir carências emocionais
| Zp4 Marketing Data: 06/10/2009
Beth Furtado
Drix, Gleudo, Gilson e José Floriano: super obrigado por terem enriquecido o tema com suas reflexões. A emoção que as pessoas colocam nos produtos que consomem e nas marcas que escolhem é um dos temas mais fascinantes da atualidade de consumo. E é inesgotável. Se estivessemos ao vivo este assunto criaria um debate longo já que são muitos seus significados. Grande abraço,
| Data: 12/10/2009
Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 05/10/2009